07 janeiro 2006
Filha, vou descrever nas palavras que conseguir aquele que até hoje foi o pior dia da nossa vida, o dia em que senti que te ia perder.
Tal como escrito nos últimos posts, tens andado constipadita e na 2ª feira passada, dia em que completaste 1 mesinho, tive mesmo de telefonar ao teu pediatra para saber o que fazer contigo. Segundo aquele homem (e não médico no seu significado real!), nada de grave tinhas, mas o serão desse dia havia de ficar marcado para sempre na minha memória; a noite em que deveríamos ter visitas em casa e um bolo de "mesversário" para ti, foi a noite em que fomos contigo para o hospital de urgência.
Quando estavamos a jantar, chegou a Zurita para comer uma fatia do teu bolito e aproveitou para dar uma olhadela a ver como estavas, já que estavas constipadita e eu achava que estavas pior. Analisou-te e mandou-me telefonar para a saúde 24 e dizer-lhes uma quantidade de coisas sobre o teu estado: as narinas levantam quando respira, o peito faz um fundo nas costelas quando respira, tem 55 inpirações por minuto e está prustrada. Foi com estas instruções que nos encaminharam para o hospital, para onde enviaram um fax para que fosses logo atendida.
O caminho foi o pior para mim. A Zurita quis levar-te ao colo e apesar de ela dizer que era "porque gostava" eu percebi que era para ver como tu estavas e agir em caso de necessidade. Obrigada Zurita pela calma que tentaste transmitir-nos. O caminho foi normal apenas uns 3 minutos. De repente, a Zurita, essa mesmo que tentava manter-nos calmos, disse uma frase que nunca mais me vai sair da cabeça: "Mário, acelera o carro e põe os 4 piscas". Ai eu percebi que tu não estavas bem. Tu não reagias a nada filha e estavas a perder os teus sinais vitais: os teus reflexos de bebé apagaram-se e tu não acordavas por mais que a Zurita te virasse ou abanasse. Senti o maior pânico que alguém pode sentir. Senti o que é o verdadeiro amor de um pai por um filho da pior forma possível. É indiscritível e espero que nunca o venhas a sentir filha. Nós não podiamos estar a passar por uma situação tão terrível como aquela. Na minha cabeça ser mãe era ter sempre alegrias e poder olhar para ti feliz e saudável, sempre a sorrir e não ter-te em risco dependente da chegada a um hospital. Foi isto que senti na altura!
À chegada ao hospital entramos pelas urgências dentro e aí uma médica atendeu-te. Só passado uns 2 minutos de observação é que tu começaste a reagir... e eu a ficar menos desesperada! Só te queria agarrar, estava num estado de nervos quase de loucura e mais uma vez foi a Zurita que me acalmou. E eu lá me controlei, pois sabia que estava nas mãos de uma médica e que a Zurita estava a observar tudo o que era feito e a dar as indicações da tua situação aos médicos.
Até que tu começaste a chorar. Que bom ouvir-te chorar. Era sinal que estavas a começar a reagir a estímulos. A partir daí começaram a examinar-te: análises ao sangue, saquinho para fazeres xixi, auscultação, etc. Tirar sangue de uma mãozinha tão pequena, que dó! Mas foi para teu bem filha, já passou. Fizeste também um raio-x que mostrou pouco. E depois comeste sofregamente. Não tinhas comido nada durante todo o dia e ali "vingaste-te" e além do meu peito devoraste meio biberão de leitinho que te deram no hospital. Que bom sinal! Após a chegada das análises, as médicas não te diagnosticaram nada, e ainda ponderaram a hipótese de te mandar para casa, mas eu perguntei: "E o que faço se ela fica novamente desta forma?" e decidiram então internar-te até à manhã seguinte, só para ver como passavas a noite!
Não havia cama para ti no S.O. e foste logo para o piso 3, pediatria, onde fomos colocadas no quarto com outro menino de 3 meses. Não consigo descrever o horrificada que me senti quando entramos no corredor de pediatria. Tudo à meia luz, senti que não te queria ali, que estavamos muito sozinhas, num sítio tão feio como aquele. Talvez "traumas" de infância de uma feia estadia no hospital... Depois de te porem soro e de te ligarem um sensor para ver os teus níveis de saturação durante a noite, foi hora do papá e da Zurita irem embora. Só eu podia ficar contigo, mas eu não queria. E se te acontecia algo durante a noite? O teu pai não ia lá estar... eu nunca tinha ficado só contigo sem o papá! Não queria mas teve de ser. E fiquei em boas mãos. As enfermeiras são 5 estrelas e fiquei bastante satisfeita com todas elas durante todo o internamento.
Manhã seguinte: mudaram-nos de quarto porque tu eras pequenita demais para estar num quarto tão longe da zona de estar das enfermeiras. A médica chegou a meio da manhã e sem mais demoras, diagnosticou-te uma bronquiolite quando te auscultou. Porque é que isso não aconteceu na noite anterior??? Estavas com algumas dificuldades em respirar em condições por isso foi-te posto um óculo nasal para o oxigénio te ajudar e os teus níveis estarem melhor.
Mais uma vez mudamos de quarto (para o quarto amarelo, cama 15, do patinho) onde havia mais 4 bebés com o mesmo problema que tu e aí ficamos até termos alta. O teu estado manteve-se sempre estável e tiveste oxigénio durante 48 hrs, pois melhoraste e conseguiste sempre manter bons níveis sem ele. O soro também saiu entretanto.
Nestes dias aprendi a dormir num cadeirão, a mexer em máquinas e aprendi também que um hospital nos ensina a crescer como pessoas e a valorizar muitas coisas que nem sempre valorizamos. Conheci outros papás, outros bebés, outras histórias de vida, muitas delas grandes histórias em pequenos bebés e ficaram amizades.
Na 6ª feira, dia 6, a médica deu-te alta e viemos para casa. Que sentimento tão estranho: tão bom vir para casa, mas que pavor não poder trazer as máquinas todas que me mostravam a todos os minutos que tu estavas bem e trazer também as enfermeiras para tratarem de ti tão bem como o fizeram!
Mas agora já estamos em casa há mais de 24hrs e tu estás visívelmente melhor. Sorris para mim e observas-me a toda a hora e momento(também deve ser por eu e o teu pai estarmos ridículos sempre de máscara na cara, pois estamos ambos constipados). Estás muitas vezes bem acordada e a tua genica e fomeca habituais voltaram ao normal. A tosse e a expecturação ainda são muitas mas sei que ao tossires estás a mandar embora essa porcaria toda que ainda existe. Quando bolsas então nem se fala...
Vamos aguardar mais uns dias para que fiques boa de vez... afinal, temos de dar tempo ao tempo. E na 4ªfeira dia 11 lá vamos nós à nova pediatra...
Mais uma vez te digo: Amo-te filhota!!!
Postado por Margarida
às 14:43
|
Os Papás
Nome da Mãe:
Margarida
Idade:
30
Nome do Pai:
Mário
Idade:
32
As medidas da Carolina
Nascimento:
Peso:
3110 gramas
Comprimento:
49 centímetros
Per. Cefálico:
34.5 centímetros
Consulta dos 10 dias
Peso:
3090 gramas
Comprimento:
51 centímetros
Per. Cefálico:
35.5 centímetros
Consulta do 1º Mês
Peso:
3700 gramas
Comprimento:
54 centímetros
Per. Cefálico:
36.5 centímetros
Consulta dos 2 Meses
Peso:
4130 gramas
Comprimento:
56 centímetros
Per. Cefálico:
37.5 centímetros
Consulta dos 3 Meses
Peso:
5010 gramas
Comprimento:
60 centímetros
Per. Cefálico:
39.5 centímetros
Consulta dos 4 Meses
Peso:
6300 gramas
Comprimento:
63 centímetros
Per. Cefálico:
40.5 centímetros
Consulta dos 6 Meses
Peso:
7520 gramas
Comprimento:
67 centímetros
Per. Cefálico:
42 centímetros
Medidas dos 7 Meses
Peso:
8000 gramas
Comprimento:
70.5 centímetros
Consulta dos 9 Meses
Peso:
8280 gramas
Comprimento:
72 centímetros
Per. Cefálico:
43,5 centímetros
Medidas dos 10 Meses
Peso:
8980 gramas
Comprimento:
73 centímetros
Consulta dos 12 Meses
Peso:
9770 gramas
Comprimento:
74,5 centímetros
Per. Cefálico:
43 centímetros
Consulta dos 14 Meses
Peso:
9930 gramas
Comprimento:
78 centímetros
Per. Cefálico:
45 centímetros
Consulta dos 18 Meses
Peso:
10600 gramas
Comprimento:
84 centímetros
Consulta dos 21 Meses
Peso:
10930 gramas
Comprimento:
86 centímetros
Consulta dos 24 Meses
Peso:
11450 gramas
Comprimento:
89.5 centímetros
As medidas da Inês
Nascimento:
Peso:
3260 gramas
Comprimento:
51 centímetros
Per. Cefálico:
35.5 centímetros
Consulta dos 10 dias
Peso:
3170 gramas
Comprimento:
51 centímetros
Per. Cefálico:
35.5 centímetros
Consulta do 1º Mês
Peso:
3845 gramas
Comprimento:
54,5 centímetros
Per. Cefálico:
37.5 centímetros
Consulta dos 2 Meses
Peso:
4880 gramas
Comprimento:
58 centímetros
Per. Cefálico:
39.9 centímetros
Consulta dos 3 Meses
Peso:
5395 gramas
Comprimento:
61 centímetros
Per. Cefálico:
40.6 centímetros
Consulta dos 4 Meses
Peso:
5870 gramas
Comprimento:
61.7 centímetros
Per. Cefálico:
41.8 centímetros
Consulta dos 6 Meses
Peso:
6965 gramas
Comprimento:
65.8 centímetros
Per. Cefálico:
44 centímetros
Consulta dos 8 Meses
Peso:
7710 gramas
Comprimento:
70.5 centímetros
Per. Cefálico:
45.5 centímetros
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